Equipe do Saneamento Vivo se capacita para fortalecer articulação com municípios

A equipe do Projeto Saneamento Vivo participou, na sexta-feira (7), de uma capacitação voltada ao aprimoramento das estratégias de mobilização e articulação com os municípios atendidos pela iniciativa. Realizado de forma remota, o encontro contou com a participação das professoras Dra. Jhéssika Angell Alves e Silva, Dra. Kaliane de Freitas Maia e Ma. Else de Farias Albuquerque.
A programação abordou temas como leitura do território, participação social, identificação de atores locais, construção de confiança e estratégias para o contato e o acompanhamento das gestões municipais.
Compreender o território para mobilizar
A primeira palestra foi conduzida pela professora Dra. Jhéssika Angell Alves e Silva, com o tema “Mobilizar é compreender o território: escuta, participação social e construção de confiança no saneamento”.
Durante a apresentação, Jhéssika destacou que a mobilização institucional não se resume ao contato com as prefeituras. Para que a articulação seja efetiva, é necessário considerar as características de cada território, as relações sociais existentes, as lideranças locais, os desafios enfrentados e as diferentes formas de participação da população.
Nesse processo, a escuta ativa e a sensibilidade social foram apontadas como fundamentais para adaptar a comunicação aos diferentes interlocutores, reconhecer demandas locais e construir relações de confiança com gestores, técnicos e demais atores envolvidos.
A participação social também foi discutida como elemento essencial para aproximar a população das decisões relacionadas ao saneamento e ampliar seu envolvimento nas ações desenvolvidas nos municípios.
A mobilização na prática
Na sequência, a professora Dra. Kaliane de Freitas Maia apresentou o tema “Mobilização institucional na prática: estratégias, desafios e aprendizados na articulação com municípios”.
A partir de experiências relacionadas à elaboração de Planos Municipais de Saneamento Básico (PMSB), Kaliane discutiu situações que podem fazer parte da rotina de mobilização, desde a preparação para o primeiro contato até o acompanhamento das respostas e dos encaminhamentos realizados pelas gestões municipais.
A professora também ressaltou a necessidade de conhecer previamente a estrutura dos municípios e de ampliar o alcance dos processos participativos, envolvendo públicos que muitas vezes permanecem distantes de audiências, reuniões e outras ações de mobilização social.
“Quem se engaja nas audiências públicas são as pessoas envolvidas com os movimentos sociais, porque a massa ou não ouve falar ou passa despercebido. É importante despertar o público geral para as mobilizações sociais para aderir a projetos como esse”, destacou Kaliane.
Identificar atores e redes locais
Encerrando a programação, a professora Ma. Else de Farias Albuquerque apresentou o tema “Conhecer para mobilizar: atores locais, redes comunitárias e a realidade dos municípios brasileiros”.
A discussão teve como foco o conhecimento da estrutura municipal e a identificação dos atores envolvidos nos processos de decisão. Prefeitos, secretários, assessores, técnicos, conselhos e lideranças locais exercem funções distintas e possuem diferentes níveis de influência, o que torna necessário identificar os interlocutores mais adequados para cada etapa da mobilização.
Else também destacou a importância de realizar um levantamento prévio sobre os municípios antes do início das ações. Informações sobre população, estrutura administrativa, condições do saneamento e possíveis contatos institucionais podem subsidiar uma abordagem mais direcionada e adequada à realidade de cada localidade.
Esses dados podem ser consultados em fontes oficiais, como portais da Transparência e sistemas públicos de informações, entre eles o Sagres. “É importante que isso seja verificado: quem são os atores que são importantes para o desenvolvimento do plano no município”, explicou Else.
Formação fortalece atuação nos municípios
Além dos conteúdos apresentados, a capacitação possibilitou a troca de experiências entre palestrantes e participantes, com a discussão de situações práticas e desafios encontrados em processos de articulação com as gestões municipais.
A formação reforçou que a mobilização institucional depende não apenas do estabelecimento de contatos, mas também do conhecimento prévio do território, da identificação dos atores estratégicos e da construção de uma comunicação capaz de gerar confiança e participação.
A capacitação integra as ações do Projeto Saneamento Vivo, iniciativa da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf) voltada ao fortalecimento da gestão municipal do saneamento básico, por meio da produção de informações, do apoio técnico aos municípios e do desenvolvimento de soluções voltadas ao planejamento do setor.